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PodJornal - 5 de Abril de 2006

Resumo:

  • Eleições em Israel
  • Lei da Paridade
  • Joe Berardo deixa colecção em Portugal
  • Autarquias apostam pouco na Internet
  • Mário Viegas morreu há 10 anos
  • Almeirim recebeu academia olímpica de Portugal
  • Taça de Basquetebol Masculino na Anadia
  • 3ª Prova do Campeonato do Mundo de F1
  • Meteorologia
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Mário Viegas faz bem à inteligência.

Foi, como noticiam nesta rádionet que nos oferecem, aprovada na generalidade pelo plenário da Assembleia da República a Lei da Paridade. Ela implica o tratamento preferencial das mulheres na composição das listas eleitorais para as eleições legislativas, europeias e autárquicas. O mecanismo encontrado para o fazer é muito simples. A ordenação de nomes nas listas eleitorais não pode incluir mais de dois candidatos do mesmo sexo consecutivamente. Portanto, se uma lista apresenta o nome de dois homens, logo a seguir terá de ter o de uma mulher. Este mecanismo garante que pelo menos um terço dos eleitos serão mulheres.

Defensores e opositores da lei centraram a sua argumentação na questão da discriminação positiva. Para os seus defensores, a discriminação positiva das mulheres justifica-se na medida em que elas actualmente estão sub-representadas nas listas eleitorais. Através da nova lei poderá caminhar-se para uma maior paridade entre homens e mulheres. Os opositores da lei aceitaram os termos do debate, mas disseram que não é através de leis que se constrói a paridade. Chamaram a atenção para o facto de que, nos últimos anos, as mulheres têm ocupado muitos dos postos disponíveis em carreiras tradicionalmente masculinas. As mulheres fizeram-no sem necessitarem de mecanismos legais de discriminação positiva, como aqueles que os defensores da lei acham agora necessários para que haja mais mulheres na vida política.

Os mecanismos de discriminação positiva em função do género, da identificação étnica, etc., sempre foram motivo de polémica. Mas, ao contrário daquilo que parece à primeira vista, a discriminação positiva é favorável à ideia de cidadania igual. Isso deve-se ao facto de os mecanismos de discriminação positiva serem sempre provisórios. Assim, a partir do momento em que haja mais mulheres do que homens na Assembleia da República a lei agora aprovada deixa de ter sentido e deve ser revogada. O mesmo acontece com qualquer outra lei favorável à discriminação positiva. Esta não visa fixar juridicamente as diferenças entre os indivíduos, mas tão só realizar na prática a igualdade que a simples não discriminação mostrou não permitir.

No entanto, o caso da discriminação positiva nas listas eleitorais não é equivalente a outros, como os do acesso à universidade ou às profissões. Aquilo que está em causa no caso vertente não é o simples tratamento preferencial das mulheres mas o próprio princípio da representação política. Se consideramos que as mulheres devem ocupar mais lugares de representação política isso significa que temos uma determinada concepção dessa representação. Ora, foi este o debate que os opositores da lei não foram capazes de suscitar. Não se trata de um debate sobre mecanismos de discriminação positiva, mas de um debate sobre um aspecto fundamental do nosso regime democrático: a ideia de representação e as razões pelas quais valorizamos a existência de assembleias representativas

Os defensores da lei, sem o saberem, acreditam em duas teorias combinadas e que os seus opositores nunca puseram em causa. A primeira é a teoria descritiva ou especular da representação política. Segundo esta teoria, uma assembleia representativa deve espelhar a composição do povo, deve ser uma espécie de miniatura do povo que representa. Mas esta teoria tem de ser complementada por uma segunda, a que poderemos chamar a teoria dos grupos significantes. Ela tem de nos dizer que é importante ter um número de representantes que espelhem o número de mulheres na sociedade e não, por exemplo, representantes que espelhem a diversidade étnica (ciganos, cabo-verdianos, etc.), ou qualquer outro aspecto considerado relevante (as profissões, o grau de escolaridade, etc.).

Pessoalmente, não sou grande fã destas duas teorias. Provavelmente por influência de um dos meus mestres – o filósofo do direito Jeremy Waldron –, parece-me mais importante que as assembleias representem opiniões do que grupos sociais. As assembleias são lugares de debate e deliberação. O essencial não é que as mulheres, ou determinados grupos étnicos, ou outros, estejam lá representadas, mas que todas as opiniões da nação tenham a oportunidade de se fazer ouvir e, dessa forma, influenciar o processo legislativo. A representação de um grupo não garante que a sua voz seja ouvida pura e simplesmente porque não há apenas uma voz nesse grupo, mas muitas. Por outro lado, a ideia de que a voz de um grupo deve ser representada pelos seus membros e não por outros desresponsabiliza os outros representantes em relação a esse mesmo grupo.

Ao centrar o debate na questão da discriminação positiva, os nossos deputados esqueceram-se de debater a relação que têm com a nação que representam. Quando está em causa a composição de uma assembleia de representantes, aquilo que está em causa é o próprio conceito de democracia representativa e não apenas a questão mais genérica do tratamento preferencial.

Depois de Israel, agora em Itália. Estas eleições são um teste muito importante. a minha irnã é Erasmus lá e estou a seguir muito o voto deles.

obrigado por começarem a entrar na f-1

Sou de Castelo Branco e só posso dizer bem do serviço online do meu município. Vejam-no e vêem que tenho toda a razão. O interior de Portugal já não é o fim do mundo.

A colecção de Berardo é muito vasta e não vai caber toda no CCB. Deveria haver módulos em viagem por Portugal para que todos possam usufruir.

Há um portugues medalha de ouro nos Mundiais de judo em Paris!

Berlusconi deve sair hoje da paisagem política italiana e europeia. Ali em cima escrevem, com razão, que Mário Viegas faz bem à inteligência. Este Berlusconi faz mal à inteligência e à dignidade.Desmesurado, foi-o na desfaçatez com que se serviu do legislativo e do executivo, que dominava, para eternizar as suas fugas pessoais à justiça e sabendo que o fazia com um povo inteiro a ver. Ou impondo uma nova geografia eleitoral não para servir um qualquer projecto nacional mas só para dificultar a governação de quem lhe suceder. Ou ainda, com meros propósitos de dramatização da campanha, sujeitando o país à humilhação de pedir observadores internacionais para as eleições.

Boçal, pela intempestividade e alarvidade das suas proclamações à Itália e à Europa. A sua famosa comparação com Cristo, ou o kapo, com que mimoseou um deputado alemão no Parlamento Europeu, ou os coglioni, dirigido aos eleitores do centro-esquerda, não são momentos infelizes de retórica de combate, antes encaixam perfeitamente no conceito em que ele tem os cidadãos.

ATENÇÃO:
Os portugueses bebem 2,8 milhões de litros de bebidas alcoólicas por dia. Em 2005, cada português com mais de 15 anos bebeu em média 115 litros de álcool. A cerveja é a bebida alcoólica mais consumida em Portugal, seguida do vinho e das bebidas espirituosas. Depois de já ter liderado a lista dos maiores consumidores de bebidas alcoólicas do mundo, Portugal ocupa agora o sétimo lugar, dizem os últimos dados da World Drink Trend. No entanto, há cada vez mais jovens a abusar do álcool.

À frente do vinho, dos licores e do uísque, a cerveja vence em número de litros consumidos pelos portugueses. De acordo com um documento da Direcção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo (DGAIEC) a que o DN teve acesso, os portugueses beberam 517 milhões de litros de cerveja no último ano, menos 74 milhões do que em 2004.
ISTO MERECE SER DISCUTIDO!ESTES SÂO OS REAIS PROBLEMAS DO NOSSO FUTURO.

AINDA SOBRE O ASSUNTO ACIMA, OUTRO AVISO NA INVESTIGAÇÃO PUBLICADA NO DN DESTE DOMINGO:
O fim da adolescência e os primeiros anos do ensino superior são uma mistura explosiva: na faixa etária dos 18 aos 24 anos, 58% dos jovens consomem álcool e quase metade destes são raparigas. A faixa dos 15 e 16 anos começa a ser muito problemática, com 2% a admitirem que já se embriagaram pelo menos 20 vezes na vida. Um em cada dez destes jovens diz também que já passou pelo binge drinking pelo menos três vezes no mês anterior.
NUM SITE DE GENTE FRESCA ESTE È UM TEMA DE TOPO.

Com o fim do GNT no pacote de canais monopolista da TV Cabo, deixamos de ter acesso aos melhores programas da televisão brasileira - desde o "Manhattan Connection", que devia obrigar alguns dos nossos comentadores políticos a pensar, até ao "Altas horas", do "Jô Soares" ao "Saia justa", além dos melhores blocos informativos brasileiros, emitidos a partir da Globo e do Globo News.
Acho escandaloso que o GNT seja substituído pela TV Record.
A TV Record é um dos piores canais de televisão do Brasil, ligada à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e aos seus negócios e especulações, onde é possível o telespectador passar cinco ou seis agradáveis horas diárias a ouvir sermões nocturnos dos seus "pastores" sobre como obter bons resultados na vida de cada um através do pagamento de dízimo e participação nas cerimónias da IURD. Eu, como cidadã, não tenho nada contra a IURD, excepto a opinião que devia ser investigada em função dos seus negócios e da elevada circulação de dinheiro que toda a gente conhece. Mas esse é um assunto para as polívias ou para a Justiça.
Além das sessões alegadamente religiosas, a TV Record emite aquela que é, reconhecidamente, a pior informação jornalística do Brasil, uns interessantes blocos diários sobre violência urbana, durante os quais uns energúmenos se exaltam alarvemente, além de umas telenovelas de qualidade deprimente.

Ciao Berlusconi, viva a Itália!

Santarém vai ter instituto para promover obras de Bernardo Santareno e Almeida Garrett.
Dedicando-se a Folha à região do Tejo e sendo que já várias vezes se dedicaram a Santarém, aqui ficam dois homens grandes de Santarem:

SANTARENO:
António Martinho do Rosário (1924-1980), usou, nas letras, o pseudónimo de Bernardo Santareno, evocando a sua terra natal. Licenciou-se em medicina, pela Universidade de Coimbra, em 1950. Dramaturgo e poeta de inspiração neo-realista em cuja obra se espelha a tensão trágica que soube recolher da leitura de Lorca, viu censuradas algumas das suas melhores peças teatrais recebendo, em 1961, o Prémio de Crítica para o melhor original de dramaturgia portuguesa. Teve também larga intervenção política antes e depois de 25 de Abril de 1974, chegando a ser eleito membro da Assembleia Municipal de Lisboa.

GARRETT:
João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, visconde de Almeida Garrett, escritor romântico, orador, par do reino, ministro e secretário de Estado honorário português (Porto, 4 de Fevereiro de 1799 — Lisboa, 9 de Dezembro de 1854).

Filho de António Bernardo da Silva Garrett e Ana Augusta de Almeida Leitão, o escritor passou parte da infância em Portugal, mas teve de seguir para os Açores (Angra do Heroísmo) quando as tropas francesas de Napoleão Bonaparte invadiram Portugal. Nos Açores foi instruído pelo tio, Dom Alexandre, bispo de Angra. Em 1818 seguiu para Coimbra, onde se matriculou no curso de Direito. Ainda em 1818 publicou O Retrato de Vénus, trabalho que lhe custou um processo por ser considerado "materialista, ateu e imoral".

Participou da revolução liberal de 1820, seguindo para o exílio na Inglaterra em 1823, após a Vilafrancada. Antes havia casado com Luísa Midosi, de apenas 14 anos. Foi em Inglaterra que tomou contacto com o movimento romântico, descobrindo Shakespeare, Walter Scott e outros autores e visitando castelos feudais e ruínas de igrejas e abadias góticas, vivências que se reflectiriam na sua obra posterior. Em 1824, seguiu para França, onde escreveu Camões (1825) e Dona Branca (1826), poemas geralmente considerados como as primeiras obras da literatura romântica em Portugal. Em 1826 foi amnistiado e regressou à pátria com os últimos emigrados, mas teria de deixar Portugal novamente em 1828, com o regresso do Rei absolutista D. Miguel. Ainda nesse ano perdeu a filha recém-nascida. Novamente em Inglaterra, publica Adozinda (1828) e Catão (1828).

Juntamente com Alexandre Herculano e Joaquim António de Aguiar, tomou parte no Desembarque do Mindelo em 1832. A vitória do Liberalismo permitiu-lhe instalar-se novamente em Portugal, após curta estadia em Bruxelas como cônsul-geral e encarregado de negócios, onde lê Schiller, Goethe e Herder. Em Portugal exerceu cargos políticos, distinguindo-se nos anos 30 e 40 como um dos maiores oradores nacionais. Foram de sua iniciativa a criação do Conservatório de Arte Dramática, da Inspecção-Geral dos Teatros, do Panteão Nacional e do Teatro Normal (actualmente Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa). Mais do que construir um teatro, Garrett procurou sobretudo renovar a produção dramática nacional segundo os cânones já vigentes no estrangeiro. Em 1838, leva à cena Gil Vicente, pouco depois D. Filipa de Vilhena e, em 1842, O Alfageme de Santarém, todas sobre temas da história de Portugal. Em 1844 é publicada a sua obra-prima, Frei Luís de Sousa, que um crítico alemão, Otto Antscherl, considerou a "obra mais brilhante que o teatro romântico produziu". Estas peças marcam uma viragem na literatura portuguesa não só na selecção dos temas, que privilegiam a história nacional em vez da antiguidade clássica, como sobretudo na liberdade da acção e na naturalidade dos diálogos.

Em 1843, Garrett publica o Romanceiro e o Cancioneiro Geral, colectâneas de poesias populares portuguesas, e em 1845 o primeiro volume d'O Arco de Santana (o segundo apareceria em 1850), romance histórico inspirado pelo Notre Dame de Paris de Victor Hugo; esta obra seduz não só pela recriação do ambiente medieval do Porto, mas sobretudo pela qualidade da prosa, desespartilhada das convenções anteriores e muito mais próxima da linguagem falada. A obra que se lhe seguiu deu expressão ainda mais vigorosa a estas tendências: Viagens na minha terra, livro híbrido em que impressões de viagem, de arte, paisagens e costumes se entrelaçam com uma novela romântica sobre factos contemporâneos do autor e ocorridos na proximidade dos lugares descritos (outra inovação para a época, em que predominava o romance histórico). A naturalidade da narrativa disfarça a complexidade da estrutura desta obra, em que alternam e se entrecruzam situações discursivas, estilos, narradores e temas muito diversos.


Almeida Garret pelo escultor Barata FeyoNa poesia, Garrett não foi menos inovador. As duas colectâneas publicadas na última fase da sua vida (Flores sem fruto, de 1844, e sobretudo Folhas caídas, de 1853) introduziram uma espontaneidade e uma simplicidade praticamente desconhecidas na poesia portuguesa anterior. Ao lado de poemas de exaltada expressão pessoal surgem pequenas obras-primas de singeleza ímpar como "Pescador da barca bela", próximas da poesia popular quando não das cantigas medievais; a liberdade da metrificação, o vocabulário corrente, o ritmo e a pontuação carregados de subjectividade são as principais marcas destas obras.

A vida de Garrett foi tão apaixonante quanto a sua obra. Revolucionário nos anos 20 e 30, distinguiu-se posteriormente sobretudo como o tipo perfeito do dandy, ou janota, tornando-se árbitro de elegâncias e príncipe dos salões mundanos. Separado da esposa, passa a viver em mancebia com D. Adelaide Pastor até à morte desta em 1841. A partir de 1846, a sua musa é a viscondessa da Luz, Rosa Montufar Infante, inspiradora dos arroubos românticos das Folhas caídas. Em 1851, Garrett é feito visconde de Almeida Garrett em duas vidas, e em 1852 sobraça, por poucos dias, a pasta dos Negócios Estrangeiros em governo presidido pelo Duque de Saldanha. Faleceu de cancro em 1854

Tenho amigos de Salamanca que desde há 6 anos passam a Páscoa em Coimbra/Figueira da Foz.
Ontem perguntaram-me se os trabalhadores do Museu estão em greve há 6 anos.
É uma vergonha que os trabalhadores dos museus marquem greve, há vários anos, para estes dias em que sabem que teriam muitos visitantes.

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