Es´tão por cumprir dois dos três D do 25 de Abril.
Cumpriu-se a descolonização, mas a democracia ainda não é total na Madeira (mas já é no Marco de Canavezes!) e falta tanto desenvolvimento (por exemplo cultura aos politicos) mas tivemos tanto, tanto, tanto desenvolvimento nestes 30 anos.
E podemos ter este argonauta, é bom!
É justíssima a designação de mago ao tratador do som do Argonauta. Altíssima qualidade, amigos! Mas a viagem discursiva do Argonauta também me deixa em belo prazer, Venho cá todos os dias à procura...
os sons que aqui passam são fenomenais. já baixei a emissão para a minha pen e para o meu iPod mas peço-lhes que façam um destaque permanente com este Argonauta na nossa Folha.
E 25 de Abril sempre!
Falta-nos que os media sejam propulsores de uma cultura de exigência em vez de serem catalizadores da rivalidade e da irracionalidade.
Conto-lhes um caso: em 2001, a Argentina esteve em bancarrota, com desemprego tremendo e inflação indomável.
Mas o país não colapsou. Porque a classe mais atingida foi a classe média e esta tinha um refúgio: a sua tradição cultural. A leitura, o teatro, a música, ajudaram os argentinos a superar a privação. e os media souberam recusar o populismo!
Em Portugal, a TV não é um motor de desenvolvimento.
A internet é uma enorme esperança com projectos como este já objecto de estudo (study case) em universidades estrangeiras (conheço pelo menos duas investigações).
Completam-se hoje 32 anos sobre o movimento militar de 25 de Abril. Não é data de jeito - as datas históricas comemoram-se em números redondos. Se calhar foi apenas por isso que os senhores feudais que governam a Madeira entenderam que não havia nada para comemorar, este ano.
Mas haverá sempre meia-dúzia de saudosistas, benza-os Deus!, que não desistem de celebrar uma data a partir da qual muita coisa mudou nas suas vidas. Os que contam hoje menos de 40 anos (já para não falar daqueles que não perdoam a quem os obrigou à incómoda tarefa de pensar pela sua própria cabeça e decidir pelo seu próprio critério) não podem fazer uma ideia de como era viver num tempo em que a palavra mais permitida era... "proibir". Hoje, como é permitido tudo aquilo que é razoável permitir-se, são incapazes de conceber que os seus pais e avós tenham vivido de modo diferente.
estava há bocado a contar ao Hugo que vim no carro a ouvir o Zeca no Coliseu (29/01/1983). cheguei a casa exactamente quando estava a dar a última faixa, Grândola Vila Morena, e aquele final apoteótico, com o público a gritar «25 de Abril sempre! 25 de Abril sempre! 25 de Abril sempre!...»
Faltam-nos mestres cultos que nos ajudem a ver lá longe. E a sermos solidários, leais e tolerantes.
Porquê em Portugal sermos tão pouco dados ao voluntariado apesar do tão alto peso da igreja católica?
A minha geração é incrível. É a geração que entrou com 25 anos no 25 de Abril. É a geração do pós-guerra e, por isso, muito dada ao (tendencialmente) gratuito. Uma geração que, depois da anterior ser de esquerda, quis ser ainda mais à esquerda: MRPP, LCI., MES (a minha) e Grito do Povo. Foi, de facto, uma geração de gritos.
No meu tempo as pessoas que se prezassem eram contra a exploração dos países pobres pelos países ricos. Estranhamente, agora que os pobres, como a China, estão finalmente a explorar os ricos, também são contra…
Uma geração que demorou a compreender que a palavra exploração tem dois sentidos. O dos marxistas, que diz que uns “exploram” os outros (roubando parte do seu trabalho) e outro, no sentido de fazer render os nossos talentos, a nossa capacidade de criar riqueza e servir os outros.
Ora a minha geração tomou a peito o primeiro e, por isso, não se cansou de explicar que o capitalismo – o mercado – é uma fraude que conduz ao roubo, ao engano. Talvez por isso, os mesmos que criaram sistemas sociais impostos, que estão na iminência de falir, não se sintam preocupados, e muito menos culpados. O povo está destinado a ser enganado e desta vez, embora o resultado seja o mesmo – uns a viverem à custa de outros –, houve boas intenções. Mas, por mais incrível que possa parecer, a minha geração continua a considerar-se utópica e altruísta.
É uma geração de “progressistas” que se distingue dos “conservadores” por estes acharem que os avós eram tão inteligentes e bons como eles, enquanto os verdadeiros progressistas, se consideram muito melhores do que os seus antecessores. Daí que se tenham sentido habilitados a mudar o mundo e a cortar com os hábitos de uma geração que – num tempo com pouca segurança social – poupou de mais e gastou de menos. Depois de Marx a minha geração acedeu a Keynes e cedo assimilou que poupar é um vício e gastar uma virtude.
Acresce que a minha geração também assistiu às desavenças familiares pelo facto de os irmãos não se entenderem quanto à repartição do herdado. Foi assim que talvez por amor aos filhos se tenham sentido na obrigação de, em vez de bens, deixarem dívidas, de modo a garantir que os vindouros fiquem unidos para as pagar. E bem vai ser preciso. A dívida pública já vai em 64% do PIB. E a despesa não pára. O pagode aperta o cinto mas o Estado não consegue. Não há cinto que resista à gordura do Monstro. É por isso que, apesar do controle dos gastos e dos bons ofícios do fisco, a despesa pública continua à rédea solta: 47, 9% do PIB em 2005 contra 45,7% em 2003 e 46,3%, em 2004.
Será que 32 anos depois do sonho de Abril vamos ser obrigados a cair na realidade do pesadelo? Isto apesar dos avisos sobre as implicações do sobrepeso do Estado, como, mais uma vez, fez Miguel Cadilhe na Universidade de Aveiro na sessão de abertura da recente Conferência Internacional organizada pelo Centro de Estudos em Governação e Políticas Públicas. A realidade é uma chatice: as contas públicas, a dívida pública, Bruxelas e agora também os relatórios: Banco de Portugal, FMI e OCDE.
Um dirigente desportivo de um clube de Lisboa acusou um dia um seu adversário de “amandar” empresas para a falência. A minha geração pretendeu ir mais longe, “amandar” a sociedade inteira para um grande embuste: “O caminho para a sociedade socialista”. A coisa, entretanto, faliu, mas o caminho (e o folclore) ainda consta no Preâmbulo da nossa “lei fundamental”, impondo assim às futuras gerações “A constituição do nosso atraso”, como escreveu ontem André Azevedo Alves, no Dia D do “Público”. Um jovem que é também autor do livro “Ordem, Liberdade e Estado”. Uma obra que espero seja mais um sinal de que a nova geração, que tem a mesma idade que a nossa tinha quando seu deu o 25 de Abril, está disposta a colocar, finalmente, o Estado depois da Liberdade. Seria incrível que a “geração rasca” fosse capaz de mostrar à geração que mais contribuiu para a criar que é capaz de se “desenrascar” e de pôr o País a navegar de novo com sucesso, levando a bom porto o barco da Liberdade. A Liberdade dos que crêem, com Herculano, contra os centralistas, que o progresso não virá senão do livre movimento dos indivíduos na esfera da sua actividade legítima.
Gostaria de perguntar aos nossos leitores/amigos, a pergunta que se faz sempre neste dia. Onde estavam no 25 de Abril? E como viram os acontecimentos da revolução?
Eu tinha 10 anos e ouvi o meu Paidizer que talvez voltássemos a Portugal.
O que o 25 de Abril trouxe aos portugueses que estão no estrangeiro foi tornar-nos iguais aos de cá.
Não sou uma imigrante, sou uma europeia.
É preciso estar cá para saber como é importante.
O que falta? Falta que o tempo recupere o dano causado por 48 anos de facismo e por 4 séculos de regime inquisitorial. Falta recuperarmos o espírito dos descobrimentos.
O que está mal no 25 de Abril é termos vivido tanto tempo sem sabermos ver, e com a ilusão de que o Estado aguentaria tudo.
Agora, rebenta ele e com ele rebentamos todos.
Temos de inventar de novo o caminho. com gente como o argonauta a estimular é mais fácil. E agora que soube que despertei muitas vezes a ouvir o vosso impulsionador inicial ainda fico mais entusiasmada. Que a Folha tenha como fruto uma telefonia que nos falta e que assim pode chegar pela net - mas não é em fragmentos, é a toda a hora.
Corram para a TV a ver como o futebol atrai quando é bonito. Jogam Barcelona e Milan, há um Káká k eu não conhecia e que é um rasgão de elegãncia. O Giuly tem figura feia mas sabe o que faz. E há um defesa italiano com 40 anos, vê-se que sabe. Ronaldinho e Eto são a alegria.
Em festa, sempre!
Filmes de vinte países, todos inéditos em Portugal e alguns em estreia absoluta, concorrem ao Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Famalicão (Famafest), que arranca nestasexta-feira.
O festival, dirigido pelo cineasta Lauro António, é dedicado ao tema "Cinema e Literatura", decorrerá até 6 de Maio, regressando à Casa das Artes e à Biblioteca Municipal, com extensão a São Miguel de Seide e ao novo auditório da Casa de Camilo. Organizado pela Câmara local, com um custo de 71 mil euros, exibirá no conjunto 200 filmes!
Lauro António na comunicação de apresentação deste Festival salientou que o evento envolve um ciclo dedicado a Harold Pinter - "Um Nobel no Cinema - e uma retrospectiva de Samuel Beckett no cinema, durante a qual se apresentam versões das obras teatrais escritas pelo autor de que se comemora este ano 100 anos sobre o seu nascimento. Há outros ciclos para Charles Dickens, Oliver Twist e Agatha Christie, que junta dezenas de adaptações de obras literárias.
Os cineastas da beira do Tejo, em particular os frequentadores deste Argonauta, estão convidados para esta escalada a terras do norte entre o Douro e o Lima com o Cávado por perto.
O Famafest homenageia também a escritora Teolinda Gersão, duas actrizes com prestigiadas carreiras (Maria Barroso e Graça Lobo) e o multifacetado Artur Agostinho
Filmes de vinte países, todos inéditos em Portugal e alguns em estreia absoluta, concorrem ao Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Famalicão (Famafest), que arranca nestasexta-feira.
O festival, dirigido pelo cineasta Lauro António, é dedicado ao tema "Cinema e Literatura", decorrerá até 6 de Maio, regressando à Casa das Artes e à Biblioteca Municipal, com extensão a São Miguel de Seide e ao novo auditório da Casa de Camilo. Organizado pela Câmara local, com um custo de 71 mil euros, exibirá no conjunto 200 filmes!
Lauro António na comunicação de apresentação deste Festival salientou que o evento envolve um ciclo dedicado a Harold Pinter - "Um Nobel no Cinema - e uma retrospectiva de Samuel Beckett no cinema, durante a qual se apresentam versões das obras teatrais escritas pelo autor de que se comemora este ano 100 anos sobre o seu nascimento. Há outros ciclos para Charles Dickens, Oliver Twist e Agatha Christie, que junta dezenas de adaptações de obras literárias.
Os cineastas da beira do Tejo, em particular os frequentadores deste Argonauta, estão convidados para esta escalada a terras do norte entre o Douro e o Lima com o Cávado por perto.
O Famafest homenageia também a escritora Teolinda Gersão, duas actrizes com prestigiadas carreiras (Maria Barroso e Graça Lobo) e o multifacetado Artur Agostinho
Foi, no mínimo, arrepiante este ano, depois de um (magnífico) concerto de Sérgio Godinho, ouvir a praça inteira a cantar Grândola Vila Morena, sob a luz do fogo de artíficio. Aos poucos vamos dando a conhecer aos filhos dos nascidos na altura da Revolução o significado de tudo isso. E é muito bom ver a sua reacção... É uma herança que se vai passando...
Quando penso no 25 de Abril, mais do que pensar no que eu pude ter, penso no que os meus filhos poderão continuar a ter.
Pensar no passado para pensar no presente e no futuro.
O que faz falta? Acima de tudo não ter memória curta (que é coisa que nos caracteriza tantas e tantas vezes...).
Ouvi Uxia neste Abril, ouçam Uxia em muito Abril.
Abril esperanças mil ou Abril, decepções mil?Quer uma, quer a outra opção, dão cobertura aos estados de espírito diferenciados daqueles que estão identificados com as gerações da "revolução dos cravos".
As datas recordam-nos acontecimentos. E o dia 25 de Abril, outra vez comemorado, traz-nos à memória "a revolução mais bela e mais poética que, alguma vez, se ouviu falar". Esta frase não fui eu que a disse. Foi uma magnífica cantora galega, de seu nome Uxia. E diz, dirigindo-se em especial aos portugueses: "Façam, façam Abril". Uxia, que eu não conhecia, é um hino à lusofonia. Canta fado, canta morna, canta bossa, canta folclore da Guiné, de Moçambique ou Angola.
A carga simbólica desta frase "façam Abril" só pode ter um sentido para aqueles que viveram esse já longínquo Abril de 1974. Hoje, esfumadas na bruma da realidade deste Portugal sem poesia e sem o brilho e o ânimo que sempre dão as utopias, 25 de Abril é mais uma folha que se rasgou no calendário.
Sem tirar o direito àqueles que somam de "Abril, decepções mil", convém não deixar passar em claro que sem Abril, hoje, talvez não fosse só a decepção a celebrar, mas o tédio de um país sem nome no lugar da modernidade.
Relendo factos da história recente desse desabamento do Estado Novo, passam por eles um lado pueril que, sem fazer tragédia, foi todo o encanto de situações de quem procura uma liberdade em estado puro que não existe, um desenvolvimento sem o ter ganho, uma democracia sem a merecer.
Mas se o momento presente do país não é entusiasmante pela depressão da crise económico e financeira que nos cerca, é obrigatório bradar por todos os cantos que, sem Abril, tudo estaria a ser muito pior.
Quem viveu antes não tem dúvidas. E não é só pela sempre reclamada liberdade de opinião e expressão. A liberdade em si é um valor que dá direito ao exercício de uma suprema dignidade humana. A liberdade não é só um direito de um povo. Terá de ser um direito de cada um. E uma vez garantida ao colectivo de uma nação, individualmente, é um "bem" que terá de ser conquistado e exercido por cada cidadão. A liberdade, como todos os outros bens, não basta ser constitucionalmente assegurada. É preciso condição humana, intelectual, social, económica, para exercê-la. E, neste sentido, é ainda grande o número de concidadãos que não dispõem de condições para usufruir desse bem.
Com todas as contradições e assimetrias culturais, sociais e humanas, que caracterizam a sociedade portuguesa, Portugal é, hoje, um país europeu, sem deixar de ser atlântico e mediterrânico, atraído pelo desenvolvimento da modernidade. Mas, em certa medida, também traído. Sem ter conseguido, no momento oportuno, colocar-se entre os primeiros da Europa, sem meios de riqueza próprios, de propalado "bom aluno", tornou-se "cábula" nas contas e sofre no quotidiano a desdita de ser economicamente um pobre entre os ricos.
Não deixa de ser perturbante, na madrugada desta comemoração, entrar num táxi e o seu condutor logo disparar "Traíram-nos". "Fizeram Abril só para eles".
Ouvi Uxia neste Abril, ouçam Uxia em muito Abril.
Abril esperanças mil ou Abril, decepções mil?Quer uma, quer a outra opção, dão cobertura aos estados de espírito diferenciados daqueles que estão identificados com as gerações da "revolução dos cravos".
As datas recordam-nos acontecimentos. E o dia 25 de Abril, outra vez comemorado, traz-nos à memória "a revolução mais bela e mais poética que, alguma vez, se ouviu falar". Esta frase não fui eu que a disse. Foi uma magnífica cantora galega, de seu nome Uxia. E diz, dirigindo-se em especial aos portugueses: "Façam, façam Abril". Uxia, que eu não conhecia, é um hino à lusofonia. Canta fado, canta morna, canta bossa, canta folclore da Guiné, de Moçambique ou Angola.
A carga simbólica desta frase "façam Abril" só pode ter um sentido para aqueles que viveram esse já longínquo Abril de 1974. Hoje, esfumadas na bruma da realidade deste Portugal sem poesia e sem o brilho e o ânimo que sempre dão as utopias, 25 de Abril é mais uma folha que se rasgou no calendário.
Sem tirar o direito àqueles que somam de "Abril, decepções mil", convém não deixar passar em claro que sem Abril, hoje, talvez não fosse só a decepção a celebrar, mas o tédio de um país sem nome no lugar da modernidade.
Relendo factos da história recente desse desabamento do Estado Novo, passam por eles um lado pueril que, sem fazer tragédia, foi todo o encanto de situações de quem procura uma liberdade em estado puro que não existe, um desenvolvimento sem o ter ganho, uma democracia sem a merecer.
Mas se o momento presente do país não é entusiasmante pela depressão da crise económico e financeira que nos cerca, é obrigatório bradar por todos os cantos que, sem Abril, tudo estaria a ser muito pior.
Quem viveu antes não tem dúvidas. E não é só pela sempre reclamada liberdade de opinião e expressão. A liberdade em si é um valor que dá direito ao exercício de uma suprema dignidade humana. A liberdade não é só um direito de um povo. Terá de ser um direito de cada um. E uma vez garantida ao colectivo de uma nação, individualmente, é um "bem" que terá de ser conquistado e exercido por cada cidadão. A liberdade, como todos os outros bens, não basta ser constitucionalmente assegurada. É preciso condição humana, intelectual, social, económica, para exercê-la. E, neste sentido, é ainda grande o número de concidadãos que não dispõem de condições para usufruir desse bem.
Com todas as contradições e assimetrias culturais, sociais e humanas, que caracterizam a sociedade portuguesa, Portugal é, hoje, um país europeu, sem deixar de ser atlântico e mediterrânico, atraído pelo desenvolvimento da modernidade. Mas, em certa medida, também traído. Sem ter conseguido, no momento oportuno, colocar-se entre os primeiros da Europa, sem meios de riqueza próprios, de propalado "bom aluno", tornou-se "cábula" nas contas e sofre no quotidiano a desdita de ser economicamente um pobre entre os ricos.
Não deixa de ser perturbante, na madrugada desta comemoração, entrar num táxi e o seu condutor logo disparar "Traíram-nos". "Fizeram Abril só para eles".
Ouçam Biscoitos no Pequeno Almoço (e a todas as horas) com Fink, vanguardista britanico da dança e do cool. portentoso. Fink habita a totalidade de "Biscuits for breakfast", um álbum de trepidação e orgulho que serve canções intrigantes e pessoais, íntimas, infectadas de blues e de folk, de alma acústica, frementes e febris, nuas, despidas até ao osso.
O universo lírico é o do crivo social realista amor, sexo, perda, maus empregos, más relações, ilusões, a luxúria e o brutal desapontamento, tudo servido com voz crua, a desmaiar em carne viva.
Assistir a um recital de piano solo de Abdullah Ibrahim é quase uma experiência mística, tal a energia que o acompanha quando entra em palco e se senta à frente do teclado. Assim foi há anos, numa das edições do Matosinhos em Jazz; assim será certamente hoje , às 22 horas, na Casa da Música, no Porto. Tentarei descrever.
oi Vera ;)
a periodicidade mais ou menos implícita do Argonauta é semanal. se for possível, amanhã estaremos a gravar mais uma emissão, que será lançada lá para 4a feira...
gosto mesmo de uma webrelação assim tão amável.
comto com o argonauta amanhã para carregar as minhas baterias para uma dissertação 6f sobre os labirintos de Borges e os de Beckett.
obrigada.
oi Vera, a emissão 7 d'O Argonauta já está gravada. só não vai para o ar amanhã porque o nosso mago da técnica também tem obrigações curriculares a cumprir, e tem de lhes dar prioridade. Assim sendo, contamos com a tua visita lá para 5a feira à noite...
ó mago da técnica, que todos os deuses estejam contigo como mereces, tens de merecer se sabes magias técnicas assim.
e depois faz mais magia pra gente partilhar do argonauta.
Obrigado pelo apoio Vera! Esta noite prometo trabalhar no argonauta para amanhã estar on-line! Quanto ao mago da técnica talvez seja mais aprendiz de mago. Quem sabe se um dia poderei sonhar com algo mais! Abraço!
Pois a mim parece-me que isso tem mais de sabedoria que de magia - do Argonauta nos temas, nas palavras e nas selecções musicais; e do Hugo, na composição final.
Transforma-se em magia é quando chega aos nossos ouvidos.
Confesso que estou muito curiosa quanto à próxima edição, ainda no segredo dos «deuses», ou dos sábios, neste caso. Nem direito a antecipação exclusiva ainda tive...
Comments
emociona ouvir aquela voz com o 1º comunicado da revolução.
Posted by: vera | abril 25, 2006 10:39 PM
associo-me no tributo aos capitães e aos que fazem este folha do tejo, em particular o argonauta e o mago da técnica Hugo Almeida.
Posted by: vera | abril 25, 2006 10:41 PM
Es´tão por cumprir dois dos três D do 25 de Abril.
Cumpriu-se a descolonização, mas a democracia ainda não é total na Madeira (mas já é no Marco de Canavezes!) e falta tanto desenvolvimento (por exemplo cultura aos politicos) mas tivemos tanto, tanto, tanto desenvolvimento nestes 30 anos.
E podemos ter este argonauta, é bom!
Posted by: Madalena Canha | abril 25, 2006 10:44 PM
É justíssima a designação de mago ao tratador do som do Argonauta. Altíssima qualidade, amigos! Mas a viagem discursiva do Argonauta também me deixa em belo prazer, Venho cá todos os dias à procura...
Posted by: Anabela | abril 25, 2006 10:49 PM
os sons que aqui passam são fenomenais. já baixei a emissão para a minha pen e para o meu iPod mas peço-lhes que façam um destaque permanente com este Argonauta na nossa Folha.
E 25 de Abril sempre!
Posted by: vera | abril 25, 2006 10:52 PM
Ouvimos muito comovidos este programa. Ouvi uma primeira vez e chamei amigos e acabámos todos a cantar convosco o Grandola Vila Morena
Posted by: Leonel Galacho | abril 25, 2006 10:53 PM
Exactamente, é comovente e é entusiasmante.
Posted by: Carla Madeira | abril 25, 2006 10:54 PM
Bravo!
Posted by: MPG | abril 25, 2006 10:57 PM
como é que se põe aqui um smilie a corar? obrigado a todos pelas palavras simpáticas...
Posted by: O-Argonauta | abril 25, 2006 11:22 PM
Falta-nos que os media sejam propulsores de uma cultura de exigência em vez de serem catalizadores da rivalidade e da irracionalidade.
Conto-lhes um caso: em 2001, a Argentina esteve em bancarrota, com desemprego tremendo e inflação indomável.
Mas o país não colapsou. Porque a classe mais atingida foi a classe média e esta tinha um refúgio: a sua tradição cultural. A leitura, o teatro, a música, ajudaram os argentinos a superar a privação. e os media souberam recusar o populismo!
Em Portugal, a TV não é um motor de desenvolvimento.
A internet é uma enorme esperança com projectos como este já objecto de estudo (study case) em universidades estrangeiras (conheço pelo menos duas investigações).
Posted by: Manuel Sérgio | abril 25, 2006 11:33 PM
Completam-se hoje 32 anos sobre o movimento militar de 25 de Abril. Não é data de jeito - as datas históricas comemoram-se em números redondos. Se calhar foi apenas por isso que os senhores feudais que governam a Madeira entenderam que não havia nada para comemorar, este ano.
Mas haverá sempre meia-dúzia de saudosistas, benza-os Deus!, que não desistem de celebrar uma data a partir da qual muita coisa mudou nas suas vidas. Os que contam hoje menos de 40 anos (já para não falar daqueles que não perdoam a quem os obrigou à incómoda tarefa de pensar pela sua própria cabeça e decidir pelo seu próprio critério) não podem fazer uma ideia de como era viver num tempo em que a palavra mais permitida era... "proibir". Hoje, como é permitido tudo aquilo que é razoável permitir-se, são incapazes de conceber que os seus pais e avós tenham vivido de modo diferente.
Posted by: Sérgio de Azevedo | abril 25, 2006 11:37 PM
Com desassombro: também nos falta que nós, professores, sejamos melhores, muito melhores.
Posted by: Manuel Carrondo | abril 25, 2006 11:41 PM
estava há bocado a contar ao Hugo que vim no carro a ouvir o Zeca no Coliseu (29/01/1983). cheguei a casa exactamente quando estava a dar a última faixa, Grândola Vila Morena, e aquele final apoteótico, com o público a gritar «25 de Abril sempre! 25 de Abril sempre! 25 de Abril sempre!...»
tinha de acabar esta emissão com esses sons...
Posted by: O-Argonauta | abril 25, 2006 11:42 PM
Faltam-nos mestres cultos que nos ajudem a ver lá longe. E a sermos solidários, leais e tolerantes.
Porquê em Portugal sermos tão pouco dados ao voluntariado apesar do tão alto peso da igreja católica?
Posted by: Joana | abril 25, 2006 11:43 PM
Neste 25A o PR de Portugal eleito pela direita fez um discurso de esquerda. O que é que isto quererá significar?
Posted by: J Lomelino de Freitas | abril 25, 2006 11:47 PM
A minha geração é incrível. É a geração que entrou com 25 anos no 25 de Abril. É a geração do pós-guerra e, por isso, muito dada ao (tendencialmente) gratuito. Uma geração que, depois da anterior ser de esquerda, quis ser ainda mais à esquerda: MRPP, LCI., MES (a minha) e Grito do Povo. Foi, de facto, uma geração de gritos.
No meu tempo as pessoas que se prezassem eram contra a exploração dos países pobres pelos países ricos. Estranhamente, agora que os pobres, como a China, estão finalmente a explorar os ricos, também são contra…
Uma geração que demorou a compreender que a palavra exploração tem dois sentidos. O dos marxistas, que diz que uns “exploram” os outros (roubando parte do seu trabalho) e outro, no sentido de fazer render os nossos talentos, a nossa capacidade de criar riqueza e servir os outros.
Ora a minha geração tomou a peito o primeiro e, por isso, não se cansou de explicar que o capitalismo – o mercado – é uma fraude que conduz ao roubo, ao engano. Talvez por isso, os mesmos que criaram sistemas sociais impostos, que estão na iminência de falir, não se sintam preocupados, e muito menos culpados. O povo está destinado a ser enganado e desta vez, embora o resultado seja o mesmo – uns a viverem à custa de outros –, houve boas intenções. Mas, por mais incrível que possa parecer, a minha geração continua a considerar-se utópica e altruísta.
É uma geração de “progressistas” que se distingue dos “conservadores” por estes acharem que os avós eram tão inteligentes e bons como eles, enquanto os verdadeiros progressistas, se consideram muito melhores do que os seus antecessores. Daí que se tenham sentido habilitados a mudar o mundo e a cortar com os hábitos de uma geração que – num tempo com pouca segurança social – poupou de mais e gastou de menos. Depois de Marx a minha geração acedeu a Keynes e cedo assimilou que poupar é um vício e gastar uma virtude.
Acresce que a minha geração também assistiu às desavenças familiares pelo facto de os irmãos não se entenderem quanto à repartição do herdado. Foi assim que talvez por amor aos filhos se tenham sentido na obrigação de, em vez de bens, deixarem dívidas, de modo a garantir que os vindouros fiquem unidos para as pagar. E bem vai ser preciso. A dívida pública já vai em 64% do PIB. E a despesa não pára. O pagode aperta o cinto mas o Estado não consegue. Não há cinto que resista à gordura do Monstro. É por isso que, apesar do controle dos gastos e dos bons ofícios do fisco, a despesa pública continua à rédea solta: 47, 9% do PIB em 2005 contra 45,7% em 2003 e 46,3%, em 2004.
Será que 32 anos depois do sonho de Abril vamos ser obrigados a cair na realidade do pesadelo? Isto apesar dos avisos sobre as implicações do sobrepeso do Estado, como, mais uma vez, fez Miguel Cadilhe na Universidade de Aveiro na sessão de abertura da recente Conferência Internacional organizada pelo Centro de Estudos em Governação e Políticas Públicas. A realidade é uma chatice: as contas públicas, a dívida pública, Bruxelas e agora também os relatórios: Banco de Portugal, FMI e OCDE.
Um dirigente desportivo de um clube de Lisboa acusou um dia um seu adversário de “amandar” empresas para a falência. A minha geração pretendeu ir mais longe, “amandar” a sociedade inteira para um grande embuste: “O caminho para a sociedade socialista”. A coisa, entretanto, faliu, mas o caminho (e o folclore) ainda consta no Preâmbulo da nossa “lei fundamental”, impondo assim às futuras gerações “A constituição do nosso atraso”, como escreveu ontem André Azevedo Alves, no Dia D do “Público”. Um jovem que é também autor do livro “Ordem, Liberdade e Estado”. Uma obra que espero seja mais um sinal de que a nova geração, que tem a mesma idade que a nossa tinha quando seu deu o 25 de Abril, está disposta a colocar, finalmente, o Estado depois da Liberdade. Seria incrível que a “geração rasca” fosse capaz de mostrar à geração que mais contribuiu para a criar que é capaz de se “desenrascar” e de pôr o País a navegar de novo com sucesso, levando a bom porto o barco da Liberdade. A Liberdade dos que crêem, com Herculano, contra os centralistas, que o progresso não virá senão do livre movimento dos indivíduos na esfera da sua actividade legítima.
Posted by: José Manuel Moreira | abril 25, 2006 11:54 PM
Gostaria de perguntar aos nossos leitores/amigos, a pergunta que se faz sempre neste dia. Onde estavam no 25 de Abril? E como viram os acontecimentos da revolução?
Posted by: Duarte Martins | abril 26, 2006 12:41 AM
eu estava na barriga da minha mãe. sairia cá para fora uns dias depois... ;)
Posted by: O-Argonauta | abril 26, 2006 12:53 AM
Eu tinha 10 anos e ouvi o meu Paidizer que talvez voltássemos a Portugal.
O que o 25 de Abril trouxe aos portugueses que estão no estrangeiro foi tornar-nos iguais aos de cá.
Não sou uma imigrante, sou uma europeia.
É preciso estar cá para saber como é importante.
O que falta? Falta que o tempo recupere o dano causado por 48 anos de facismo e por 4 séculos de regime inquisitorial. Falta recuperarmos o espírito dos descobrimentos.
Posted by: Andrea Miranda | abril 26, 2006 08:27 AM
Hoje, os pobres são, se possível, ainda mais pobres do que antes de 1974 e os ricos, mais ricos. Foi aí que o 25 de Abril ficou por fazer.
Posted by: MAPina | abril 26, 2006 03:37 PM
O que está mal no 25 de Abril é termos vivido tanto tempo sem sabermos ver, e com a ilusão de que o Estado aguentaria tudo.
Agora, rebenta ele e com ele rebentamos todos.
Temos de inventar de novo o caminho. com gente como o argonauta a estimular é mais fácil. E agora que soube que despertei muitas vezes a ouvir o vosso impulsionador inicial ainda fico mais entusiasmada. Que a Folha tenha como fruto uma telefonia que nos falta e que assim pode chegar pela net - mas não é em fragmentos, é a toda a hora.
Posted by: Leonor R Melo | abril 26, 2006 07:21 PM
Corram para a TV a ver como o futebol atrai quando é bonito. Jogam Barcelona e Milan, há um Káká k eu não conhecia e que é um rasgão de elegãncia. O Giuly tem figura feia mas sabe o que faz. E há um defesa italiano com 40 anos, vê-se que sabe. Ronaldinho e Eto são a alegria.
Em festa, sempre!
Posted by: vera | abril 26, 2006 08:40 PM
Filmes de vinte países, todos inéditos em Portugal e alguns em estreia absoluta, concorrem ao Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Famalicão (Famafest), que arranca nestasexta-feira.
O festival, dirigido pelo cineasta Lauro António, é dedicado ao tema "Cinema e Literatura", decorrerá até 6 de Maio, regressando à Casa das Artes e à Biblioteca Municipal, com extensão a São Miguel de Seide e ao novo auditório da Casa de Camilo. Organizado pela Câmara local, com um custo de 71 mil euros, exibirá no conjunto 200 filmes!
Lauro António na comunicação de apresentação deste Festival salientou que o evento envolve um ciclo dedicado a Harold Pinter - "Um Nobel no Cinema - e uma retrospectiva de Samuel Beckett no cinema, durante a qual se apresentam versões das obras teatrais escritas pelo autor de que se comemora este ano 100 anos sobre o seu nascimento. Há outros ciclos para Charles Dickens, Oliver Twist e Agatha Christie, que junta dezenas de adaptações de obras literárias.
Os cineastas da beira do Tejo, em particular os frequentadores deste Argonauta, estão convidados para esta escalada a terras do norte entre o Douro e o Lima com o Cávado por perto.
O Famafest homenageia também a escritora Teolinda Gersão, duas actrizes com prestigiadas carreiras (Maria Barroso e Graça Lobo) e o multifacetado Artur Agostinho
Posted by: Maria Eduarda Sêco | abril 26, 2006 11:28 PM
Filmes de vinte países, todos inéditos em Portugal e alguns em estreia absoluta, concorrem ao Festival Internacional de Cinema e Vídeo de Famalicão (Famafest), que arranca nestasexta-feira.
O festival, dirigido pelo cineasta Lauro António, é dedicado ao tema "Cinema e Literatura", decorrerá até 6 de Maio, regressando à Casa das Artes e à Biblioteca Municipal, com extensão a São Miguel de Seide e ao novo auditório da Casa de Camilo. Organizado pela Câmara local, com um custo de 71 mil euros, exibirá no conjunto 200 filmes!
Lauro António na comunicação de apresentação deste Festival salientou que o evento envolve um ciclo dedicado a Harold Pinter - "Um Nobel no Cinema - e uma retrospectiva de Samuel Beckett no cinema, durante a qual se apresentam versões das obras teatrais escritas pelo autor de que se comemora este ano 100 anos sobre o seu nascimento. Há outros ciclos para Charles Dickens, Oliver Twist e Agatha Christie, que junta dezenas de adaptações de obras literárias.
Os cineastas da beira do Tejo, em particular os frequentadores deste Argonauta, estão convidados para esta escalada a terras do norte entre o Douro e o Lima com o Cávado por perto.
O Famafest homenageia também a escritora Teolinda Gersão, duas actrizes com prestigiadas carreiras (Maria Barroso e Graça Lobo) e o multifacetado Artur Agostinho
Posted by: Maria Eduarda Sêco | abril 26, 2006 11:29 PM
Foi, no mínimo, arrepiante este ano, depois de um (magnífico) concerto de Sérgio Godinho, ouvir a praça inteira a cantar Grândola Vila Morena, sob a luz do fogo de artíficio. Aos poucos vamos dando a conhecer aos filhos dos nascidos na altura da Revolução o significado de tudo isso. E é muito bom ver a sua reacção... É uma herança que se vai passando...
Quando penso no 25 de Abril, mais do que pensar no que eu pude ter, penso no que os meus filhos poderão continuar a ter.
Pensar no passado para pensar no presente e no futuro.
O que faz falta? Acima de tudo não ter memória curta (que é coisa que nos caracteriza tantas e tantas vezes...).
Posted by: Cláudia | abril 27, 2006 03:01 PM
Ouvi Uxia neste Abril, ouçam Uxia em muito Abril.
Abril esperanças mil ou Abril, decepções mil?Quer uma, quer a outra opção, dão cobertura aos estados de espírito diferenciados daqueles que estão identificados com as gerações da "revolução dos cravos".
As datas recordam-nos acontecimentos. E o dia 25 de Abril, outra vez comemorado, traz-nos à memória "a revolução mais bela e mais poética que, alguma vez, se ouviu falar". Esta frase não fui eu que a disse. Foi uma magnífica cantora galega, de seu nome Uxia. E diz, dirigindo-se em especial aos portugueses: "Façam, façam Abril". Uxia, que eu não conhecia, é um hino à lusofonia. Canta fado, canta morna, canta bossa, canta folclore da Guiné, de Moçambique ou Angola.
A carga simbólica desta frase "façam Abril" só pode ter um sentido para aqueles que viveram esse já longínquo Abril de 1974. Hoje, esfumadas na bruma da realidade deste Portugal sem poesia e sem o brilho e o ânimo que sempre dão as utopias, 25 de Abril é mais uma folha que se rasgou no calendário.
Sem tirar o direito àqueles que somam de "Abril, decepções mil", convém não deixar passar em claro que sem Abril, hoje, talvez não fosse só a decepção a celebrar, mas o tédio de um país sem nome no lugar da modernidade.
Relendo factos da história recente desse desabamento do Estado Novo, passam por eles um lado pueril que, sem fazer tragédia, foi todo o encanto de situações de quem procura uma liberdade em estado puro que não existe, um desenvolvimento sem o ter ganho, uma democracia sem a merecer.
Mas se o momento presente do país não é entusiasmante pela depressão da crise económico e financeira que nos cerca, é obrigatório bradar por todos os cantos que, sem Abril, tudo estaria a ser muito pior.
Quem viveu antes não tem dúvidas. E não é só pela sempre reclamada liberdade de opinião e expressão. A liberdade em si é um valor que dá direito ao exercício de uma suprema dignidade humana. A liberdade não é só um direito de um povo. Terá de ser um direito de cada um. E uma vez garantida ao colectivo de uma nação, individualmente, é um "bem" que terá de ser conquistado e exercido por cada cidadão. A liberdade, como todos os outros bens, não basta ser constitucionalmente assegurada. É preciso condição humana, intelectual, social, económica, para exercê-la. E, neste sentido, é ainda grande o número de concidadãos que não dispõem de condições para usufruir desse bem.
Com todas as contradições e assimetrias culturais, sociais e humanas, que caracterizam a sociedade portuguesa, Portugal é, hoje, um país europeu, sem deixar de ser atlântico e mediterrânico, atraído pelo desenvolvimento da modernidade. Mas, em certa medida, também traído. Sem ter conseguido, no momento oportuno, colocar-se entre os primeiros da Europa, sem meios de riqueza próprios, de propalado "bom aluno", tornou-se "cábula" nas contas e sofre no quotidiano a desdita de ser economicamente um pobre entre os ricos.
Não deixa de ser perturbante, na madrugada desta comemoração, entrar num táxi e o seu condutor logo disparar "Traíram-nos". "Fizeram Abril só para eles".
Abril, frustrações mil. Abril, esperanças mil.
Posted by: MS | abril 27, 2006 07:44 PM
Ouvi Uxia neste Abril, ouçam Uxia em muito Abril.
Abril esperanças mil ou Abril, decepções mil?Quer uma, quer a outra opção, dão cobertura aos estados de espírito diferenciados daqueles que estão identificados com as gerações da "revolução dos cravos".
As datas recordam-nos acontecimentos. E o dia 25 de Abril, outra vez comemorado, traz-nos à memória "a revolução mais bela e mais poética que, alguma vez, se ouviu falar". Esta frase não fui eu que a disse. Foi uma magnífica cantora galega, de seu nome Uxia. E diz, dirigindo-se em especial aos portugueses: "Façam, façam Abril". Uxia, que eu não conhecia, é um hino à lusofonia. Canta fado, canta morna, canta bossa, canta folclore da Guiné, de Moçambique ou Angola.
A carga simbólica desta frase "façam Abril" só pode ter um sentido para aqueles que viveram esse já longínquo Abril de 1974. Hoje, esfumadas na bruma da realidade deste Portugal sem poesia e sem o brilho e o ânimo que sempre dão as utopias, 25 de Abril é mais uma folha que se rasgou no calendário.
Sem tirar o direito àqueles que somam de "Abril, decepções mil", convém não deixar passar em claro que sem Abril, hoje, talvez não fosse só a decepção a celebrar, mas o tédio de um país sem nome no lugar da modernidade.
Relendo factos da história recente desse desabamento do Estado Novo, passam por eles um lado pueril que, sem fazer tragédia, foi todo o encanto de situações de quem procura uma liberdade em estado puro que não existe, um desenvolvimento sem o ter ganho, uma democracia sem a merecer.
Mas se o momento presente do país não é entusiasmante pela depressão da crise económico e financeira que nos cerca, é obrigatório bradar por todos os cantos que, sem Abril, tudo estaria a ser muito pior.
Quem viveu antes não tem dúvidas. E não é só pela sempre reclamada liberdade de opinião e expressão. A liberdade em si é um valor que dá direito ao exercício de uma suprema dignidade humana. A liberdade não é só um direito de um povo. Terá de ser um direito de cada um. E uma vez garantida ao colectivo de uma nação, individualmente, é um "bem" que terá de ser conquistado e exercido por cada cidadão. A liberdade, como todos os outros bens, não basta ser constitucionalmente assegurada. É preciso condição humana, intelectual, social, económica, para exercê-la. E, neste sentido, é ainda grande o número de concidadãos que não dispõem de condições para usufruir desse bem.
Com todas as contradições e assimetrias culturais, sociais e humanas, que caracterizam a sociedade portuguesa, Portugal é, hoje, um país europeu, sem deixar de ser atlântico e mediterrânico, atraído pelo desenvolvimento da modernidade. Mas, em certa medida, também traído. Sem ter conseguido, no momento oportuno, colocar-se entre os primeiros da Europa, sem meios de riqueza próprios, de propalado "bom aluno", tornou-se "cábula" nas contas e sofre no quotidiano a desdita de ser economicamente um pobre entre os ricos.
Não deixa de ser perturbante, na madrugada desta comemoração, entrar num táxi e o seu condutor logo disparar "Traíram-nos". "Fizeram Abril só para eles".
Abril, frustrações mil. Abril, esperanças mil.
Posted by: MS | abril 27, 2006 07:45 PM
Abril esperanças mil
e o argonauta é um lugar de paraíso
Posted by: vera | abril 27, 2006 10:29 PM
Ouçam Biscoitos no Pequeno Almoço (e a todas as horas) com Fink, vanguardista britanico da dança e do cool. portentoso. Fink habita a totalidade de "Biscuits for breakfast", um álbum de trepidação e orgulho que serve canções intrigantes e pessoais, íntimas, infectadas de blues e de folk, de alma acústica, frementes e febris, nuas, despidas até ao osso.
O universo lírico é o do crivo social realista amor, sexo, perda, maus empregos, más relações, ilusões, a luxúria e o brutal desapontamento, tudo servido com voz crua, a desmaiar em carne viva.
Posted by: Sylvia | abril 29, 2006 11:08 AM
Acabei de ouvir a 6ª emissão do Argonauta. Foi a que gostei mais.
Cada vez melhor, amigo!!
Abraço
Posted by: Ricardo Fontora | abril 29, 2006 11:33 AM
Cláudia, Vera, Ricardo (e todos os outros), as vossas palavras simpáticas são um incentivo a que, também por aqui, Abril vá acontecendo...
Posted by: O-Argonauta | abril 29, 2006 05:28 PM
Argonaaaaaaaaaaaauta, alôôôô...eu já cá estou à espera. lá por seres elogiado não tens bónus para atraso na gravação...
Posted by: vera | maio 1, 2006 05:53 PM
Assistir a um recital de piano solo de Abdullah Ibrahim é quase uma experiência mística, tal a energia que o acompanha quando entra em palco e se senta à frente do teclado. Assim foi há anos, numa das edições do Matosinhos em Jazz; assim será certamente hoje , às 22 horas, na Casa da Música, no Porto. Tentarei descrever.
Posted by: João Nuno Sardoeira Pinto | maio 1, 2006 08:14 PM
oi Vera ;)
a periodicidade mais ou menos implícita do Argonauta é semanal. se for possível, amanhã estaremos a gravar mais uma emissão, que será lançada lá para 4a feira...
Posted by: O-Argonauta | maio 1, 2006 09:35 PM
gosto mesmo de uma webrelação assim tão amável.
comto com o argonauta amanhã para carregar as minhas baterias para uma dissertação 6f sobre os labirintos de Borges e os de Beckett.
obrigada.
Posted by: vera | maio 2, 2006 03:15 PM
oi Vera, a emissão 7 d'O Argonauta já está gravada. só não vai para o ar amanhã porque o nosso mago da técnica também tem obrigações curriculares a cumprir, e tem de lhes dar prioridade. Assim sendo, contamos com a tua visita lá para 5a feira à noite...
Posted by: O-Argonauta | maio 2, 2006 07:21 PM
ó mago da técnica, que todos os deuses estejam contigo como mereces, tens de merecer se sabes magias técnicas assim.
e depois faz mais magia pra gente partilhar do argonauta.
Posted by: vera | maio 3, 2006 12:10 AM
Obrigado pelo apoio Vera! Esta noite prometo trabalhar no argonauta para amanhã estar on-line! Quanto ao mago da técnica talvez seja mais aprendiz de mago. Quem sabe se um dia poderei sonhar com algo mais! Abraço!
Posted by: Hugo Almeida - Folha do Tejo | maio 3, 2006 10:53 AM
Pois a mim parece-me que isso tem mais de sabedoria que de magia - do Argonauta nos temas, nas palavras e nas selecções musicais; e do Hugo, na composição final.
Transforma-se em magia é quando chega aos nossos ouvidos.
Confesso que estou muito curiosa quanto à próxima edição, ainda no segredo dos «deuses», ou dos sábios, neste caso. Nem direito a antecipação exclusiva ainda tive...
Posted by: Cláudia | maio 3, 2006 04:33 PM
LOL
Posted by: O-Argonauta | maio 3, 2006 07:18 PM